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Vivemos na era do “evento”. As empresas investem bilhões em workshops de fim de semana, offsites inspiradores e imersões de liderança que prometem transformar gestores em líderes visionários em 48 horas. A euforia da segunda-feira é real. Na quarta, o e-mail transborda. Na sexta, o líder “transformado” já voltou a ser o gestor reativo de sempre – soterrado pelo operacional e pelos velhos hábitos.
O problema raramente está no conteúdo do treinamento. Está na ausência de permanência. Mudar é fácil. O verdadeiro desafio é continuar sendo a pessoa que você decidiu ser quando o caos cotidiano tenta te puxar de volta para os velhos padrões.
A tirania do ambiente vs. A vontade do líder
Marshall Goldsmith, o coach de executivos mais influente do mundo, revela em Permanence uma verdade incômoda: o ambiente é o maior sabotador da nossa evolução. Para qualquer líder, esse ambiente é um fluxo contínuo de crises, prazos apertados e demandas urgentes. Esse “clima” molda o comportamento de forma invisível. Sem uma estrutura de proteção, não somos nós que lideramos o ambiente, é ele que nos lidera.
É nesse ponto que entra a contribuição de Lisa Broderick, conselheira de CEOs de empresas da Fortune 500 e coautora do livro. Enquanto Marshall foca no comportamento, Lisa nos convida a examinar nossa relação com o tempo. Ela defende que a sensação de “urgência constante” que paralisa tantos líderes é, na maioria das vezes, uma construção mental – e é ela que nos impede de acessar o melhor de nós mesmos.
A permanência, portanto, não é apenas fazer coisas diferentes. É perceber o tempo de outra forma – uma percepção que dá à mudança o espaço necessário para respirar.
O poder das perguntas ativas: O Teste do Esforço
A maior lição que podemos extrair desta obra é a distinção entre perguntas passivas e perguntas ativas.
No mundo corporativo, somos condicionados a medir resultados. “O projeto foi entregue?”, “O turnover diminuiu?”. São perguntas passivas: medem o que aconteceu, mas não capturam a essência da liderança. Marshall Goldsmith propõe uma mudança simples e eficaz: as 6 Perguntas Diárias de Esforço.
A lógica é direta: você não controla os resultados, mas controla integralmente o próprio esforço. Cada pergunta começa com a mesma frase: “Eu fiz o meu melhor para…?”
Promover essa prática entre líderes é construir uma cultura de Accountability Radical. Quando um líder avalia, todas as noites, o próprio esforço em ser feliz ou construir relacionamentos, ele deixa de culpar a “cultura da empresa” ou o “time difícil” por seus resultados.
Essa prática gera o que Lisa Broderick chama de “estiramento do tempo”. Ao focar no esforço presente, o líder abandona o modo de sobrevivência – reativo por natureza – e entra no modo de construção, no qual a permanência realmente acontece.
O convite à prática
Escolha um parceiro de accountability – pode ser um colega, seu cônjuge ou um mentor. Todas as noites, responda a essas seis perguntas dando-se uma nota. Sem desculpas, sem justificativas. Apenas o reconhecimento humilde do seu nível de esforço.
Liderança não é um destino. É um processo de “permanência” em estado de evolução contínua. Como os autores nos ensinam, tornar-se a pessoa que você quer ser é um projeto de vida; permanecer essa pessoa é a prova de fogo do líder de verdade.
Quando um líder é apoiado a permanecer em seu estado de “melhor eu”, ele está, na prática, otimizando o recurso mais caro da companhia: a atenção. Um líder que não sustenta sua mudança drena a atenção do time, gera insegurança e, inevitavelmente, alimenta o turnover.
A neurociência da permanência – Por que o cérebro resiste ao “novo eu”
Entender a biologia da mudança é o que separa programas de desenvolvimento que funcionam daqueles que apenas frustram. Se a transformação fosse puramente racional, bastaria ler um bom livro. Mas Marshall Goldsmith e Lisa Broderick nos mostram que a permanência é, antes de tudo, uma batalha contra a fiação neural do nosso cérebro.
Cada vez que o líder responde às “6 Perguntas Diárias”, ele reforça um novo caminho sináptico. Pense no comportamento antigo como uma rodovia asfaltada e no novo como uma trilha no mato. A permanência é o processo pelo qual, pela repetição e pelo esforço consciente, essa trilha se transforma na nova rodovia.
A ciência por trás do “Eu fiz o meu melhor para…” é poderosa porque retira o foco da culpa (que ativa o sistema de estresse) e o coloca no controle (que ativa o sistema de recompensa). Quando o cérebro percebe que o esforço está sendo monitorado e valorizado, ele libera dopamina, o que torna a manutenção do comportamento menos árdua e mais sustentável a longo prazo.
Duas dicas para você treinar o “Músculo da Presença”
Microintervenções: encoraje líderes a fazer pausas de “reset perceptivo” de 60 segundos entre reuniões. É um gesto simples que recalibra a percepção do tempo e interrompe o ciclo reativo antes que ele se instale.
Cultura de esforço consciente: a mudança comportamental tem tempo biológico. Não se transforma uma cultura de comando e controle em uma de colaboração sem que os líderes treinem o cérebro diariamente – e isso não é metáfora.
A neurociência é categórica: a constância vence a intensidade. Um workshop de oito horas deixa menos marca na fiação neural do que dois minutos diários de reflexão guiada pelas perguntas ativas de Marshall Goldsmith.
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